14 junho 2021

Resenha: cremes Hidratação Intensa Lavanda e Hidratação Intensa Capim-Limão, da Alma Lavada

Já se tornou um hábito: logo antes de dormir, passo o creme Hidratação Intensa Lavanda, da marca brasileira Alma Lavada, nas mãos, nos braços e nos cotovelos. Tem sido assim desde setembro de 2020, e esse gesto proporciona hidratação e conforto para a minha pele seca, além de relaxar a cabeça com a presença do óleo essencial de lavanda na formulação. Faz parte da rotina noturna da minha filha também. Nós duas gostamos tanto desse produto que atualmente estamos usando o nosso terceiro pote, e já compramos mais um.

Hidratação Intensa Lavanda, da Alma Lavada
Clique na imagem para ampliar [Foto de Michelle C., Tantas Plantas]

O creme contém duas manteigas vegetais, benéficas para a pele e provenientes de manejo sustentável na Amazônia: manteiga de cupuaçu e manteiga de cacau. De consistência espessa e cor bem clara, tem ótima absorção e é fácil de aplicar.

Usamos esse produto desde a sua versão anterior, que contava também com manteiga de murumuru. A versão atual substituiu a manteiga de murumuru pelo óleo de semente de girassol, prensado a frio. Gosto muito da manteiga de murumuru, e fiquei contente em perceber que essa alteração não diminuiu a eficácia do cosmético.

A fórmula também inclui água deionizada, e o equilíbrio entre esse elemento aquoso e as manteigas de cacau e de cupuaçu, além do óleo de girassol, faz com que a minha pele atópica fique realmente hidratada e nutrida, por um tempo prolongado. Isso é especialmente importante no clima mais seco e frio do outono do Rio de Janeiro, quando as peles secas e as peles sensíveis tendem a sofrer mais. Nessa época, tenho usado o creme Hidratação Intensa Lavanda também nos joelhos e nas pernas (áreas nas quais tenho maior tendência ao ressecamento), capricho nas cutículas e nas unhas, e eventualmente aplico o creme durante o dia também.

A lista de ingredientes é natural e vegana. Está copiada a seguir, conforme consta no rótulo. O produto não é testado em animais.

Água deionizada, manteiga de cupuaçu, manteiga de cacau, óleo de girassol, cera emulsificante, álcool cetílico, glicerina vegetal, óleo essencial de lavanda, vitamina E, conservante livre de parabenos, óleo-resina de alecrim.

A cera emulsificante utilizada é o Olivem 1000, composto de olivato de cetearila (cetearyl olivate) e olivato de sorbitano (sorbitan olivate) e aprovado pela Ecocert para cosmética natural. O conservante livre de parabenos é o Nipaguard, que consiste numa mistura de caprilato de sorbitano (sorbitan caprylate), propanodiol (propanediol) e ácido benzoico (benzoic acid) e também é aprovado pela Ecocert para cosmética natural. Todas essas substâncias possuem a melhor nota de segurança na base de dados do EWG (Environmental Working Group).

A marca oferece também o creme Hidratação Intensa Capim-Limão. A lista de ingredientes é a mesma, mas no lugar do óleo essencial de lavanda consta o óleo essencial de capim-limão.

Água deionizada, manteiga de cupuaçu, manteiga de cacau, óleo de girassol, cera emulsificante, álcool cetílico, glicerina vegetal, óleo essencial de capim-limão, vitamina E, conservante livre de parabenos, óleo-resina de alecrim.

Na minha compra mais recente, perguntei se haveria a possibilidade de experimentar uma amostra desse creme com capim-limão. Recebi uma boa amostra, sem custo, e estou gostando muito de usar essa versão também.

Alma Lavada indica o creme Hidratação Intensa Lavanda para peles secas e sensíveis, e recomenda o creme Hidratação Intensa Capim-Limão para peles normais a secas. No primeiro, o perfume natural de lavanda é bastante presente, mas aparece de forma mais suave em comparação com o segundo, que apresenta o perfume natural de capim-limão com uma intensidade mais marcante.  

Tanto o creme Hidratação Intensa Lavanda quanto o creme Hidratação Intensa Capim-Limão custam R$68,00 e vêm em pote reciclável, de vidro transparente, com 150ml de creme, tampa branca de metal e rótulo de papel, graciosamente decorado. O prazo de validade é de 6 meses. O rendimento é muito bom. Uma pequena quantidade de produto é suficiente para cada parte do corpo.

Ambos são produzidos artesanalmente em Paty do Alferes, no estado do Rio de Janeiro, e enviados diretamente pela marca Alma Lavada, pelo Correio, para todo o Brasil. No caso da cidade do Rio de Janeiro, há entregas semanais, feitas por um motoboy. Os pedidos são feitos por WhatasApp. O catálogo e o número para contato estão disponíveis em https://linktr.ee/alma.lavada. Os sistemas de pagamento e de entrega são muito organizados. 

Os cremes e as loções hidratantes foram os primeiros produtos lançados pela Alma Lavada, e sua origem está ligada a uma questão pessoal de uma de suas fundadoras, Maíra Palha, que convivia com dermatite atópica desde a adolescência e queria criar algo que cuidasse da pele de forma eficiente e natural. Mais informações sobre a sua trajetória e as práticas da empresa, que ela dirige junto com seu marido Matheus Sanches, já foram publicadas no texto “Resenha: Óleo Corporal Lua Cheia, da Alma Lavada”.

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17 maio 2021

Resenha: Savon d’Alep 40% Huile de Baies de Laurier, da Najel (sabão de Alepo com 40% de óleo de bagas de loureiro)

A família Al Najjar produz o autêntico sabão de Alepo desde 1895, seguindo um processo ancestral, passado de geração em geração. A fábrica se localiza na cidade de Alepo, no norte da Síria. No ano de 1996, em Lion, na França, o jovem médico sírio Manar Najjar e a estudante de direito francesa Catherine Elia decidiram se casar e criaram a marca Najel, cujo nome resulta da contração dos dois sobrenomes. Além disso, a palavra “najel” significa “filho”, em árabe. Atualmente, os produtos da Najel são distribuídos em 27 países. O empreendimento é voltado para a produção e a distribuição não apenas dos famosos sabões de Alepo, mas também de uma ampla linha de produtos naturais e orgânicos, desenvolvidos e fabricados no Laboratoire Najjar, um laboratório próprio situado em Lion. A maioria deles é certificada pela Ecocert, seguindo o padrão Cosmos.

Savon d'Alep 40% Huile de Baies de Laurier, da Najel
Clique na imagem para ampliar [Foto de Michelle C., Tantas Plantas]

Em 2017, duas amigas foram para Paris e me trouxeram um sabão de Alepo de lembrança de viagem (obrigada mais uma vez, Leila e Izabel!). Era o Savon d’Alep 40% Huile de Baies de Laurier (Sabão de Alepo 40% Óleo de Bagas de Loureiro, em português), dessa marca francesa Najel, e esse foi o meu primeiro contato com esse tipo tão especial de sabão.

Verso do Savon d'Alep 40% Huile de Baies de Laurier, da Najel
Clique na imagem para ampliar [Foto de Michelle C., Tantas Plantas]

Totalmente natural, o genuíno sabão de Alepo não contém fragrância sintética, corantes e conservantes. Há vários séculos, o processo de saponificação do óleo de oliva e do óleo de bagas de loureiro se mantém inalterado. Em Alepo, Samer Najjar, irmão de Manar Najjar, supervisiona a produção sazonal e artesanal do sabão, desde a colheita das olivas e das bagas de loureiro até o final da secagem dos blocos de sabão, uma etapa que leva longos 9 meses para ser finalizada.

Copiei a seguir a lista de ingredientes que consta no rótulo, e incluí a tradução de cada termo.

Sodium olivate (olivato de sódio), sodium laurate (laurato de sódio), aqua (water / água), glycerin (glicerina), sodium chloride (cloreto de sódio), sodium hydroxide (hidróxido de sódio).

A seção de perguntas frequentes do site da marca informa que a glicerina decorre do processo de saponificação, não é adicionada artificialmente. O uso da água, do cloreto de sódio e do hidróxido de sódio está detalhado na seção ao final desse texto. 

Segundo o site da Najel, quanto maior for a concentração de óleo de bagas de loureiro, maior será a sua capacidade de acalmar peles irritadas e com problemas como psoríase, eczema (dermatite atópica), acne e dermatose. A máxima concentração possível de óleo de bagas de loureiro é de 40%, e esse óleo vegetal é apreciado por suas propriedades desinfetantes e regeneradoras. Já a descrição do óleo de oliva saponificado menciona que ele possui um grande poder de limpeza, ao mesmo tempo que nutre, protege e amacia a pele.

site da empresa avisa que tanto o Savon d’Alep 40% Huile de Baies de Laurier quanto o Savon dAlep 30% Huile de Baies de Laurier só devem ser usados ocasionalmente. Como esses dois tipos não são recomendados para uso diário, a marca sugere alternar a utilização desses sabonetes com concentração de 30% e 40% de óleo de bagas de loureiro com um sabonete com baixa concentração desse óleo. A Najel oferece cinco concentrações de óleo de bagas de loureiro: 4%, 5%, 12%, 30% e 40%, além de uma opção com 100% de óleo de oliva (sem óleo de bagas de loureiro).

A espuma do Savon d’Alep 40% Huile de Baies de Laurier é agradável, de bolhas pequenas, e limpa muito bem. Como a minha pele atópica e seca tem estado geralmente saudável nos últimos anos, não tenho como falar sobre o efeito desse sabonete numa pele em crise. Vale lembrar que faço aplicações completas de loção hidratante após cada banho, sem exceção. Achei ótimo também como sabonete íntimo, e bastante adequado para a minha pele do rosto, que é madura e mista.

Usando-o como xampu sólido, tive a bela surpresa de notar que ele deixou o meu cabelo muito brilhante. Meus fios são compridos, lisos, normais no comprimento, com tendência à oleosidade na raiz. A sensação que ficou no couro cabeludo foi de limpeza e conforto.

O cheiro do produto é intenso, seco, ligeiramente áspero, diferente de todos os outros sabonetes que já experimentei. Às vezes chega a ser um pouco peculiar demais para mim, pois não costumo gostar de aromas fortes em geral. De todo modo, creio que parte desse estranhamento se deve à minha falta de familiaridade com esse tipo de sabonete, que não faz parte do nosso cotidiano no Brasil.

O sabonete é firme, fácil de usar. Deixado num local arejado após o banho, em uma saboneteira com boa drenagem de água, ele seca bem. Sua durabilidade é bastante longa.

Uma característica que acho muito bonita no Savon d’Alep 40% Huile de Baies de Laurier é o seu interior verde esmeralda, um tom mais carregado da cor do rótulo. A área externa desse sabonete é toda marrom, mas quando ele é cortado ao meio pode-se ver que por dentro ele é bem verdinho. Costumo dividir meus sabonetes antes de começar a usá-los, pois o tamanho menor facilita o manuseio. O contraste entre o marrom da parte externa e o verde da parte interna é admirável. Seu aspecto me faz pensar em cerâmica rústica.

Achei o Savon d’Alep 40% Huile de Baies de Laurier tão interessante que depois o comprei, em novembro de 2018, na loja virtual Ecco Verde (https://www.ecco-verde.co.uk/). Dei o endereço de uma amiga que mora em Londres e ia passar o Natal aqui no Rio; ela trouxe esse e outros sabonetes da Najel na bagagem (obrigada novamente, Mariana!). Também seria possível pedir que a encomenda fosse entregue diretamente na minha casa, pois a Ecco Verde entrega em vários países, incluindo o Brasil.

Nessa loja estrangeira, o sabonete é denominado Aleppo Soap 40% BLO, sendo BLO a sigla de Bay Laurel Oil (Óleo de Louro). Está custando £8,80. Os preços vão diminuindo conforme a concentração de óleo de bagas de loureiro se reduz. O Savon d’Alep 5% Huile de Baies de Laurier, por exemplo, sai a £4,60. É uma pena que o câmbio atualmente tenha sido tão desfavorável para compras no exterior. O sabonete que fotografei para esta resenha veio com o peso de 200g e estava embrulhado em plástico incolor e transparente, com um rótulo de papel. Sua validade era de 18 meses após a abertura da embalagem.

PROCESSO DE PRODUÇÃO DO SABÃO DE ALEPO

site da Najel descreve o processo de produção (hot process) do sabão de Alepo, que se inicia com o aquecimento de água e hidróxido de sódio num grande caldeirão. O óleo de oliva virgem é adicionado, e a mistura é mantida em temperatura alta e controlada por 12 horas. No dia seguinte, o conteúdo do caldeirão é aquecido novamente e é acrescido do óleo de bagas de loureiro, previamente filtrado. A saponificação é a consequência de uma reação química natural, ocorrida entre os óleos vegetais e o hidróxido de sódio.

A pasta remanescente é lavada diversas vezes com água salgada, para remover todos os traços de substâncias cáusticas. A água é retirada do caldeirão e reciclada. A pasta de sabão é espalhada numa grande bacia. Uma vez solidificada, é cortada em blocos. Cada bloco é carimbado à mão com a marca Najel.

Os blocos são empilhados em pallets e mantidos em porões ventilados, ao abrigo da luz solar, e ficam curando por 9 meses. Nesse longo período de secagem, o sabão de Alepo vai perdendo água e sua superfície se oxida. A coloração da parte externa se torna amarela, podendo chegar a tonalidades marrons. O centro de cada bloco permanece verde. Ao final da cura, os sabões de Alepo são limpos, embalados, encaixotados e despachados.

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